Nova seção: Traduções

Começo hoje uma nova seção do blog, em que postarei traduções de poemas e textos bons que sejam difíceis de encontrar aqui no Brasil. Por exemplo, aqui está uma poesia de Aleksandr Blok, poeta russo (aquele da foto). Estou aprendendo essa língua e ainda não fiz passar essa tradução pelo crivo corretor dos meus correspondentes, mas creio que está okay. Esse poema é lindo, achei que seria ótimo para uma inauguração. A poesia original está primeiro - logo em seguida, em verde, minha tradução. Enjoy.


О доблестях, о подвигах, о славе
Я забывал на горестной земле,
Когда твое лицо в простой оправе
Передо мной сияло на столе.
 
Но час настал, и ты ушла из дому.
Я бросил в ночь заветное кольцо.
Ты отдала свою судьбу другому,
И я забыл прекрасное лицо.
 
Летели дни, крутясь проклятым роем.,
Вино и страсть терзали жизнь мою...
И вспомнил я тебя пред аналоем,
И звал тебя, как молодость свою...
 
Я звал тебя, но ты не оглянулась,
Я слезы лил, но ты не снизошла;
Ты в синий плащ печально завернулась,
В сырую ночь ты из дому ушла.
 
Не знаю, где приют своей гордыне
Ты, милая, ты, нежная, нашла...
Я крепко сплю, мне снится плащ твой синий,
В котором ты в сырую ночь ушла...
 
Уж не мечтать о нежности, о славе,
Все миновалось, молодость прошла!
Твое лицо в его простой оправе
Своей рукой убрал я со стола.
 
30 декабря 1908

Sobre heroísmos, sobre façanhas, sobre glória
Eu esqueci na terra dolorosa,
Quando tua face na moldura lisa
Em frente a mim resplandeceu na mesa.

Mas a hora veio, e tu partiste de casa.
Eu lancei na noite o anel preferido.
Você entregou seu destino a outro,
E eu esqueci a bela face.

Os dias voaram, bailando numa afluência maldita,
Vinho e paixão atormentaram a minha vida...
E eu lembrei de você em frente ao púlpito,
Eu chamei você, como a minha juventude...

Eu chamei você, mas você não olhou pra trás,
Eu verti lágrimas, mas você não condescendeu;
Você enrolou-se com tristeza na capa azul,
Na noite úmida você partiu de casa.

Um abrigo para sua altivez, não sei onde
Você, meiga, você, delicada, encontrou...
Eu durmo profundamente, sonhando com tua capa azul escura
Com a qual você partiu na noite úmida...

Já não sonho com carinho, com glória,
Tudo passou, a juventude se foi!
Tua face em sua moldura lisa
Com minha mão eu retiro da mesa.

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